terça-feira, 10 de maio de 2011

Efervescências de mim


Como consegues…

Qual monção
Acabada de beijar a planície
Ampliar e reduzir meu coração

Sim…

Deste-lhe um safanão
Agarraste-o com tua boca
E cobriste-o com palavras amorosas
Com aroma a rosas

Sim…

Descobriste-o mal amado
Desconcertado
Abandonado

Perpetuamente desabrido e estilhaçado

Como consegues…

Lançar meu ser ao céu
Apanha-lo a meio da primeira camada de ar
E depois…
Faze-lo simplesmente voar!

Sim…

Diz-me…

Quão fundo é o teu segredo
Qual a tua verdade
Quão profunda é a tua imensidão
Qual é a tua perplexidade

Como consegues...

Assim…

Sem um tocar de pele
Sem um roçar de lábios
Sem um esgar de mão

Soprar meu coração!

Linha do horizonte


Linha que contempla teu rosto
Que o beija que o corteja
Deixando-o suspenso
Em fiadas de desejo e medo

Brisa que percorre teu corpo
Afagando-o provocando-o
Até se extinguir… em poesia

Mescla de sensações
Que fomentam em mim
Recordações de ti
E me fazem fantasiar

Com tua penetrante voz

A pressão com que o mar
Agoniza a maresia
E a extasia
E a envolve em laçadas
De pura utopia

As rochas espumam pela boca
Labaredas que sinto
A areia acolhe teu olhar
Sobre minha tristeza
As nuvens que completam o cenário
De si ordinário!


Mendigo migalhas de amor imperfeito
E lanço-as ao mar
Dentro do baú de lembranças

E…

Na lonjura do nevoeiro
Na fundura de meu estreito peito
Procuro frases a eito

E ajoelho em teu areal
E confesso serenamente

Aceito o silêncio
Que os ventos sussurram
Minhas íris adentro

Aceito a minha pretensão
Sobe pena amortalhada
Perdida e silenciada

Linha do horizonte
Que abençoas…
Os corações desprotegidos
As almas injuriadas
Os rostos rasgados
E todas as súplicas desesperadas!

E…avistando o culminar da tormenta
Tombando fulminada
Escrevo em minha lápide
Aqui jaz a poetisa que surgiu do nada!


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"Linha imaginária que separa a superfície da Terra (ou do mar), da esfera celeste. Por mais que se caminhe ao seu encontro, nunca se alcança."